terça-feira, 6 de junho de 2017

Planejar o cronograma de estudos com antecedência ajuda a ir bem no Enem



Com as inscrições do Enem finalizadas, agora já dá para começar a abrir os livros e repassar o conteúdo. Marcado para os dias 5 e 12 de novembro, dois domingos consecutivos, o exame terá quatro provas objetivas, além da redação. Mas como se preparar, se falta tanto tempo para o grande dia?

O segredo é tirar vantagem disso. Quem se programa com antecedência e planeja um cronograma de estudos bem estruturado consegue organizar uma rotina saudável, inclusive com tempo para o lazer. Isso ajuda a trazer tranquilidade na hora da prova, pois você sabe que estudou tudo com calma.

Como planejar sua rotina de estudos
1. Entenda sua rotina (e seja realista)Vale a pena parar por cinco minutos e entender como funciona sua rotina. Muitos estudantes organizam planos de estudo fora da realidade e, depois, não conseguem cumpri-los. Pense em como é o seu dia a dia: De quantas horas de sono você precisa? Seria viável acordar mais cedo? Você gasta tempo no trânsito? Trabalha? Tem que preparar seu almoço? Quais outras tarefas, além de estudar, você tem que cumprir? Os detalhes da sua rotina devem ser levados em conta na hora de se programar.

2. Coloque tudo no papelAssim fica mais fácil visualizar como seu dia será programado. Algumas pessoas preferem usar planilhas, o que é ótimo. Mas se você não se dá tão bem assim com tabelas, pode usar outro método. Uma folha de papel dividida em dias da semana ou uma cartolina grande colocada na parede do quarto, por exemplo, são boas alternativas. O importante é que você consiga enxergar sua semana completa, inclusive com os finais de semana.

3. Ajuste seus horáriosDepois de anotar todas as suas atividades, verifique quanto tempo livre sobrou para os estudos. Só não vale trapacear e encher sua semana com compromissos aleatórios. Mantenha o foco e tenha em mente que agora seu objetivo é tirar uma boa nota no Enem.

Como saber quantas horas por dia você deve estudar? Não existe uma regra que se aplique à rotina de todo mundo. O que você pode fazer é considerar alguns pontos:
- Escolha o melhor período do dia para você: pode ser pela manhã, à noite, no fim da tarde. A maioria das pessoas consegue ser mais produtiva em um determinado turno, então aproveite isso. Determine o horário de início e fim.
- Faça pequenos intervalos a cada duas horas. Alguns minutos para levantar, tomar água ou comer uma fruta são importantes para manter sua energia.
- Nunca estude a mesma matéria por mais de três horas. Depois de tanto tempo, você tende a não prestar mais atenção no assunto.
- Não se preocupe em dedicar o mesmo número de horas para todas as matérias. Priorize as que você tem mais dificuldade.

4. E o fim de semana, como fica?Provavelmente, é nos finais de semana que você terá mais tempo livre para estudar. Por outro lado, também é importante manter seus momentos de lazer. Ao planejar seu cronograma, tente escolher, pelo menos, um turno de cada dia para se dedicar aos conteúdos. Na hora de sair, pense em programas mais leves, como um filme com a galera, por exemplo. Fica mais fácil de manter a rotina.

5. Alterne as matériasSe for estudar mais de uma matéria por dia, alterne matérias mais exatas, como Matemática, com outras mais teóricas, como História. Outra dica importante é revezar diferentes maneiras de estudar: depois de ler durante uma hora, por exemplo, comece a fazer exercícios ou responder questões de simulados.

Com essas dicas, estudar para o Enem vai se tornar uma tarefa muito menos complicada. Não esqueça: planejamento aumenta suas chances de chegar mais preparado e tranquilo para a prova!

Fonte: G1

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Isto, isso e aquilo: uma conversa sobre pronomes demonstrativos


O uso dos pronomes demonstrativos costuma ser objeto de dúvida entre aqueles que escrevem. Afinal, quando se devem empregar as formas "este" ou "esse"? Existe diferença entre uma e outra?

Ora, as formas "este", "esse" e "aquele", bem como suas flexões, indicam a posição dos seres no espaço e relacionam-se às pessoas do discurso. "Este" indica proximidade de quem fala (primeira pessoa), "esse" indica proximidade do interlocutor (segunda pessoa) e "aquele" assinala distanciamento em relação às duas primeiras pessoas.

Dizemos, por exemplo, "Este livro que eu tenho em mãos é excelente", mas "Eu já li esse livro que você está lendo". Caso não esteja perto de nenhuma das duas pessoas, o livro passa a ser determinado pelo pronome "aquele". Assim: "Você já leu aquele livro?".

Esses pronomes demonstrativos, na fala, são, por vezes, acompanhados de gestos, o que é mais freqüente quando se empregam as formas neutras "isto", "isso" e "aquilo" em sua função dêitica, ou seja, como palavras sem referencial fixo. Quando alguém pergunta, por exemplo, "Que é isto?", "Que é isso?" ou "Que é aquilo?", a escolha do demonstrativo depende da posição daquilo a que se refere o pronome. Em outras palavras, os pronomes "isto", "isso" e "aquilo" não significam nada em si mesmos; seu significado é móvel. No título do filme "Que é isso, companheiro?", o pronome "isso" alude a uma atitude do interlocutor (no caso, o "companheiro"). Quando cantava "Que país é este?", Renato Russo naturalmente se referia ao seu próprio país (algo como "que país é este em que eu vivo?").

A idéia de lugar expressa por tais pronomes pode ser reforçada por advérbios: "isto aqui", "isso aí", "aquilo lá". Tais advérbios são igualmente dêiticos, já que sua significação depende da situação de emprego. Observe que eles também se relacionam às pessoas do discurso. "Aqui" é o lugar onde se encontra a pessoa que fala (primeira pessoa do discurso); "aí" é o lugar do interlocutor (segunda pessoa do discurso) e "lá" é o lugar da terceira pessoa (ele).

As dúvidas mais freqüentes, no entanto, dizem respeito ao uso desses pronomes em sua função anafórica, ou seja, nas situações em que operam remissões intradiscursivas. Trata-se então de empregá-los para fazer alusão a termos que já foram ou que ainda serão mencionados. Usam-se as formas com "ss" para remeter àquilo que já foi dito e as formas com "st" para apontar para o que será dito posteriormente. Assim: "Ouça isto: nunca me decepcione!" e "Que nunca a decepcionasse. Foi isso o que ela lhe pediu".

Essa é a distinção básica entre as duas formas, mas há outras situações de emprego que convém assinalar. Por exemplo, quando nos referimos ao próprio texto que estamos escrevendo, usamos "este". Vale lembrar os velhos modelos de carta, hoje tão inusuais, mas, ainda assim, presentes na nossa memória: "Espero que estas linhas o encontrem gozando de boa saúde...". "Estas linhas" são aquelas que ora escrevo.

As formas "este" e "aquele" (e, naturalmente, as suas flexões) são as que se empregam no aposto distributivo em períodos do tipo: "O senador e o deputado vieram. Este, de avião; aquele, de helicóptero". Ora, quem veio de avião foi o deputado e quem veio de helicóptero foi o senador (o pronome "este" retoma o termo imediatamente anterior, em oposição ao pronome "aquele", que retoma o elemento mais distante). O ideal nesse tipo de período é sempre usar o pronome "este" antes do pronome "aquele", pois "este" retoma o termo anterior por causa da proximidade que tem dele. Convém evitar, assim, uma construção como: "O senador e o deputado vieram. Aquele, de helicóptero; este, de avião".

É comum que o pronome "este" que recupera o termo imediatamente anterior venha seguido da palavra último: "Em campo, o União São João se juntou ao grupo de rebaixados, que tinha o Inter de Limeira, o Sorocaba e o União Barbarense. Mas este último pode se salvar caso o tribunal da federação paulista tire 24 pontos do América".

Mesmo quando não existe a oposição entre dois termos mencionados anteriormente, a forma "este" (como pronome substantivo) recupera o último elemento. Veja o exemplo, extraído de uma notícia de jornal: "'Se a Europa abrir mão de suas ambições políticas e sociais, o modelo ultraliberal terá o caminho livre', declarou Chirac ao lado de Schröder. Este acrescentou que, 'se a França rejeitar a Constituição, 50 anos de construção européia, que garantiram a paz e a harmonia no continente, serão seriamente prejudicados'".

Podem ainda os demonstrativos indicar proximidade ou distância temporal. Nessa chave de oposição, entra o par "este"/"aquele". Assim, "esta noite" opõe-se "àquela noite". "Aquela noite" está situada num passado distante (ainda que subjetivamente: "Você ainda se lembra daquela noite?"); "esta noite" pode ser a de ontem ou a de hoje, dependendo do contexto: "Esta noite foi muito fria" (passado recente) ou "Esta noite será muito fria" (futuro próximo). O dia, o mês ou o ano em que nos encontramos, por exemplo, são antecedidos de "este" ("este ano", "esta semana" etc.).

Há ainda o uso afetivo dos pronomes demonstrativos, que aparece em expressões como "Tive um dia daqueles!" ou em locuções já cristalizadas no idioma ("ora essa", "essa, não!" etc.).

A seguinte declaração de um artista popular também ilustra o uso afetivo dos demonstrativos: "É estranha essa coisa de inspiração. Vai nascendo sabe lá de onde e, de repente, está bem na nossa frente". O uso do pronome "essa" (e não "esta") parece reforçar a idéia de que a inspiração é algo que vem de fora ("sabe lá de onde"), é algo estranho que toma conta do artista.

O emprego afetivo das palavras sempre rende uma boa discussão. Houve, há algum tempo, um presidente da República que declarou publicamente ter nascido com "aquilo" roxo, naturalmente uma marca distintiva de seu caráter ou de sua personalidade, um indício de coragem, valentia, ousadia... O interessante é que ninguém precisou perguntar o que significava o dêitico "aquilo" no contexto. Na verdade, o demonstrativo foi usado como um eufemismo, mas esse é um assunto para outra coluna.


Fonte: THAÍS NICOLETI DE CAMARGO

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Modernismo - Geração de 30

Literatura modernista nos anos 30. Nesse período as conquistas da geração modernista de 22 já se encontram consolidadas. É preciso, mais do que digeri-las, também ressignificá-las, sobretudo em um mundo de repentina maior complexidade, ditado por um contexto de apreensão e perplexidade mediante um contexto beligerante nunca antes visto, nas proporções que por fim tomou e que não refrearam no período entre guerras.

O mundo é ditado, agora, por uma atmosfera de pessimismo quanto aos rumos da humanidade, mas também pela necessidade de compreensão, de maior envolvimento social. Essas demandas também nortearão o olhar de toda uma safra de escritores a um cenário novo em nossa literatura: o Nordeste, suas agruras e suas sofridas personagens. Eis os balizadores que nortearão a visão modernista da segunda geração.Sua produção é bastante fecunda tanto em prosa quanto em poesia.

Costumeiramente, situam-se os marcos dessa geração entre 1930 e 1945.

Poesia
Há na poesia, dessa fase, um grau de uniformidade e mesmo de coesão menor do que nos autores de 22. Lembremos, no entanto, que a maior parte dos autores de 22 são contemporâneos da safra de poetas de 30, com os quais partilham o gosto pelo verso livre, a liberdade temática, a postura antiacadêmica, a valorização do cotidiano. Esses traços aqui não são mais uma espécie de guia a se seguir, mas amplas conquistas já estabelecidas.

Os principais nomes da poesia dessa fase modernista são:
Carlos Drummond de Andrade
Vinícius de Moraes
Cecília Meirelles
Jorge de Lima
Murilo Mendes


Prosa
É na prosa que essa geração vai instituir a grande novidade em nossa literatura, ao nos apresentar um protagonismo a partir daí, permanentemente, presente na cultura brasileira: o da figura do nordestino sofrido, em meio às agruras da seca, aos desmandos sociais.

São romances caracterizados pela denúncia social. Houve grande interesse por temas nacionais, uma linguagem mais brasileira com um enfoque mais direto dos fatos, aproximando-se de procedimentos do Realismo-Naturalismo. Na prosa, atingiu-se elevado grau de tensão nas relações do "eu" com o mundo; é o encontro do escritor com seu povo. Havia uma busca do homem brasileiro nas várias regiões, por isso, o regionalismo ganhou importância, com destaque às relações da personagem com o meio natural e social (seca, migração, problemas do trabalhador rural, miséria, ignorância).

Refletindo as preocupações sociais e políticas que agitavam o Brasil na época, desenvolveu-se um tipo de ficção que encaminhou para o documentário social e romance político. A publicação, em 1928, de A bagaceira, de José Américo de Almeida, costuma ser indicada como marco inicial dessa série de obras cuja intenção básica foi a denúncia dos problemas sociais econômicos do nordeste, dos dramas dos retirantes das secas e da exploração do homem num sistema social injusto.Além do regionalismo, destacaram-se também outras temáticas como o romance urbano e psicológico, o romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.

O grande marco dessa safra de romances, possivelmente, seja a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, publicada no ano de 1938. No livro, deparamos com a família de retirantes formada por Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a tão humana cadela Baleia. A linguagem objetiva do romance parece metaforizar a própria ressequidão daquele ambiente.

Os principais romancistas de 30 são:
Graciliano Ramos
José Lins do Rego
Rachel de Queiroz
Jorge Amado
Érico Veríssimo

Fonte: Globo/Educação

terça-feira, 30 de maio de 2017

Paralelismos Sintático e Semântico como recursos estilísticos textuais

Notadamente, a construção textual é concebida como um procedimento dotado de grande complexidade, haja vista que o fato de as ideias emergirem com uma certa facilidade não significa transpô-las para o papel sem a devida ordenação. Tal complexidade nos remete à noção das competências inerentes ao emissor diante da elaboração do discurso, dada a necessidade de este se perfazer pela clareza e precisão. 
Infere-se, portanto, que as competências estão relacionadas aos conhecimentos que o usuário tem dos fatos linguísticos, aplicando-os de acordo com o objetivo pretendido pela enunciação. De modo mais claro, ressaltamos a importância da estrutura discursiva se pautar pela pontuação, concordância, coerência, coesão e demais requisitos necessários à objetividade retratada pela mensagem. 
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros aspectos que norteiam os já citados fatos linguísticos, ressaltamos determinados recursos cuja função se atribui por conferirem estilo à construção textual – o paralelismo sintático e semântico. Caracterizam-se pelas relações de semelhança existente entre palavras e expressões que se efetivam tanto de ordem morfológica (quando pertencem à mesma classe gramatical), sintática (quando há semelhança entre frases ou orações) e semântica (quando há correspondência de sentido entre os termos).
Casos recorrentes se manifestam no momento da escrita indicando que houve a quebra destes recursos, tornando-se imperceptíveis aos olhos de quem a produz, interferindo de forma negativa na textualidade como um todo. Como podemos conferir por meio dos seguintes casos: 

Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda. 
Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o país, e sim a seleção que o representa. Reestruturando a oração, obteríamos:

Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a seleção da Holanda. 
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos muito agradecidos.

Eis que estamos diante de um corriqueiro procedimento linguístico, embora considerado incorreto, sobretudo, pela incoerência conferida pelos tempos verbais (comparecessem/ficaremos). O contrário acontece se disséssemos: 

Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos muito agradecidos. 
Ambos relacionados à mesma ideia, denotando uma incerteza quanto à ação. 
Ampliando a noção sobre a correta utilização destes recursos, analisemos alguns casos em que eles se aplicam: 

não só... mas (como) também:
A violência não só aumentou nos grandes centros urbanos, mas também no interior. 

Percebemos que tal construção confere-nos a ideia de adição em comparar ambas as situações em que a violência se manifesta. 

Quanto mais... (tanto) mais: 
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o profissionalismo, mais chances tem de se progredir. 

Ao nos atermos à noção de progressão, podemos identificar a construção paralelística. 

Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora:
A cordialidade é uma virtude aplicável em quaisquer circunstâncias, seja no ambiente familiar, seja no trabalho.

Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante a ideia de alternância. 

Tanto... Quanto:
As exigências burocráticas são as mesmas, tanto para os veteranos, quanto para os calouros. 

Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de equivalência, constata-se a estrutura paralelística. 

Não... E não/nem:
Não poderemos contar com o auxílio de ninguém, nem dos alunos, nem dos funcionários da secretaria. 

Recurso este empregado quando se quer atribuir uma sequência negativa. 

Por um lado... Por outro: 
Se por um lado, a desistência da viagem implicou economia, por outro, desagradou aos filhos que estavam no período de férias. 

O paralelismo efetivou-se em virtude da referência a aspectos negativos e positivos relacionados a um determinado fato. 

Tempos verbais: 
Se a maioria colaborasse, haveria mais organização. 

Como dito anteriormente, houve a concordância de sentido proferida pelos verbos e seus respectivos tempos.

Fonte: UOL

O "ete" da empreguete

Por Elis de Almeida Cardoso

Em português há muitos sufixos formadores de diminutivos, que expressam diferentes valores afetivos. Nomes formados com diminutivos relacionam-se com a ideia de carinho, delicadeza, ternura, humildade, mas também podem ser pejorativos exprimindo depreciação, irritação, ironia.

Principalmente na linguagem coloquial, advérbios e pronomes com sufixos diminutivos podem ganhar valor enfático (agorinha, nadinha). Unido a bases que têm traços semânticos de delicadeza ou pequenez, o sufixo atua como intensificador (lindinho, pequeninho). Já unido a bases cuja conotação é depreciativa, indica tolerância e compreensão (feinho, bobinho). Pode até perder seus traços semânticos em formações com outros sentidos (camisinha).

Dos sufixos diminutivos mais comuns, além de –inho/-zinho, há –eta(caderneta, lingueta), -ito (livreto), -ola (sacola), -ete (disquete). O mais produtivo é mesmo a dupla –inho/-zinho, mas o sufixo –ete vem ganhando, na língua falada, na internet e nos programas de TV, uma frequência bem alta, por seu valor expressivo.
Mesmo usado em palavras dicionarizadas (ver quadro), novas palavras com essa terminação surgem a cada dia. O valor de diminutivo desaparece e outros sentidos passam a ser vistos em palavras com –ete. Desde a era das “chacretes”, não se via uso tão exagerado do sufixo.

Programas de TV seguiram a mesma linha de Chacrinha. “Boletes” eram as moças do Clube do Bolinha (Bandeirantes, anos 80). Hoje, as “paniquetes” (ou panicats) são as que recebem closes das câmeras no Pânico na Band. E as “calderetes” povoam o Calderão do Huck (Globo). O –etecontinua usado em referência às mulheres. Antes eram chamadas de “vedetes” e “coquetes”, palavras vindas do francês. Hoje, ouvem-se as formações “reboletes”, “fanketes”, ”periguetes”. É a terminação –ete em novas palavras.

Periguete

Quem são, afinal, as periguetes (ou piriguetes)? Representadas nas novelas da Globo Insensato Coração (2011), por Deborah Secco (Natalie); Fina Estampa (2011/2012), por Carolina Dieckman (Teodora), e Avenida Brasil ( no ar) por Ísis Valverde (Suellen) são mulheres que usam roupas justíssimas e chamativas, sempre em cima de um salto, muito maquiadas, com bijuterias enormes e o único objetivo de chamar a atenção, conquistar.

São mais do que um perigo... sempre prontas para seduzir. Nas baladas, escolhem com quem querem ficar e ficam. Formada por “perigo” + -ete, a palavra é usada com conotação diferente do adjetivo “perigosa” e circula há anos. Já foi usada pela cantora Ivete Sangalo, que em show deixou de ser Ivete para ser “Periguete”. O funk Piriguete de MC Papo tem como refrão:

Quando ela me vê ela mexe

Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete

Rebola devagar depois desce

Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete

As periguetes que vão a bailes funk são conhecidas como “funketes”. Quando na balada, podem ser chamadas de “reboletes” e acabam sempre arrumando um “peguete”. O substantivo “rebolete” retoma a ideia da dançarina “peguete”, comum de dois gêneros, é a pessoa que se está “pegando”, “ficando”... com quem se mantém relação sexual ou afetiva ocasional, sem compromissos.

Nas novelas que retratam o universo carioca circulam agora as “empreguetes”. Cheias de Charme (Globo, no ar) mostra domésticas que querem ser alçadas ao sucesso. Cida (Isabelle Drummond), Penha (Taís Araújo) e Rosário (Leandra Leal) se dizem “empreguetes” e produzem um videoclipe cujo título é Vida de Empreguete. “Empreguete é a empregada jovem que quer ser reconhecida pelo seu sucesso e chegar à condição de patroa.

O sufixo –ete tem, no caso, valor carinhoso. Amigas tratam-se, sobretudo na adolescência, por “amiguetes”. O –ete pode pode ter valor de feminino, quando as calouras que acabam de ingressar no ensino universitário são chamados de “bixetes” (pois “calouro” é “bixo”). Formando o feminino, o sufixo continua afetivo.

Fanzetes

Desde que o jogador Neymar atingiu fama e popularidade, uma legião de fãs o segue. Dentre seus admiradores, há um grupo especial: as “neymarzetes”. Seguidoras do jogador no Twitter, santistas por causa do craque, as neymarzetes (mais sonoro do que “neymaretes”) vão a estádios, levam cartazes, gritam e fazem de tudo para ter uma foto do ou com o ídolo.

Fazem coro com as “luanetes”, dessa vez as seguidoras do cantor Luan Santana, outro fenômeno, não do futebol, mas do meio musical-sertanejo. Essas torcedoras especiais, essas jovens enlouquecidamente apaixonadas são as responsáveis por essa outra conotação do sufixo. O –ete passa a designar também a fã de alguém.

A terminação, com /e/ aberto, é sonora e seu valor semântico nas formações novas e não dicionarizadas revela expressividade porque vai do pejorativo ao afetivo.

Formar palavra com –ete é, pois, uma tendência, modismo que faz com que o sufixo ganhe seu minuto de fama.

Sinal de modernidade

A diversidade de usos tradicionais e já dicionarizados do sufixo –ete

O sufixo –ete, pelo Houaiss, manifesta-se em “diminutivos, diminutivos afetivos e diminutivos designativos de outra coisa”, encontrado em palavras como: artiguete, bracelete, cavalete, farolete, mulatete, olhe-te, palacete. Algumas trazem variação no timbre do /e/ tônico, pronunciado ê ou é.

Nem sempre tem valor diminutivo ou é considerado sufixo: “gilete” vem de nome próprio (Gillette) usado metonimicamente (marca pelo produto) como “lâmina de barbear” e, depois, metaforicamente (motorista barbeiro; indivíduo bissexual).

No Brasil, o –ete, agora com /e/ aberto, surge quando se deseja um toque de modernidade, associado ao picaresco (“jambete”, mulata cor de jambo) ou para dar atrativo a produtos. Quem se lembra da boneca “Fofolete”? O /l/ é consoante de ligação (fofo + -ete).

Fonte: Revista Língua/julho de 2012