terça-feira, 22 de julho de 2014

Enem: papel da mulher está entre temas possíveis da redação

O papel da mulher está entre temas possíveis da redação. O tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 pode ser considerado tradicional em relação ao que a prova costuma cobrar. “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil” foi visto como um tema simples, de relevância social e âmbito nacional - além de ser uma atualidade na época. Em dezembro de 2012, a lei havia se tornado ainda mais rígida, causando polêmica. Foi parar no caderno de questões do popular exame brasileiro.

Não há como prever qual será o desafio dos cerca de 9,5 milhões de inscritos no Enem 2014. E professores de cursos pré-vestibulares nem recomendam aos alunos que tentem adivinhar qual será. “O aluno preparado é aquele que fala sobre qualquer tema, acompanha jornais, portais de notícias. É o aluno que lê. Não o que pensa em algum tema e só se prepara para ele”, afirma Andrea Provasi, professora de redação do Cursinho da Poli.

Segundo a professora, o Enem estabelece quatro ordens nas quais o tema pode estar: cultural, social, científica e política. E, dentro disso, o mais comum é apresentar atualidades. “Mas nada impede que apareçam surpresas. Em uma edição, o Enem tratou do tema ‘O poder transformador da leitura’ (2006). De certa forma, foi uma surpresa”, conta. Veja a seguir apostas de professores de cursos pré-vestibulares para a redação de 2014.

Participação da mulher na sociedade
Ainda acerca de uma abordagem política, o professor de Língua e Portuguesa e redação Ávila Oliveira, do Unificado, aposta que o fato do Brasil e outros países da América Latina apresentarem presidentes mulheres – além de Dilma Rousseff, Michelle Bachelet, no Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina, são exemplos – é um tema de redação possível.

“Acho que está ‘quicando essa bola’ há algum tempo, o tema da participação da mulher na sociedade. Temos a Dilma como presidenta, a América Latina com presidentas. Até o termo ‘presidenta’ pode aparecer nos textos de apoio”, arrisca. Outros fatos como a Lei Maria da Penha, o movimento social Marcha das Vadias e o erro em pesquisa do Ipea (o órgão publicou que 65,1% concordam que mulheres com roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas, quando o correto seria 26%) também são indicações.

Para a professora Andrea, a questão de gênero pode ter relação com as denúncias de assédio sexual nos metrôs, amplamente divulgadas pela imprensa. O pedido por vagões femininos poderiam ser debatidos como um direito ou uma segregação negativa.

Democracia
A maior efeméride brasileira em 2014 pode motivar a banca a discutir a democracia com os candidatos. O golpe militar de 1964, cujo aniversário de 50 anos aconteceu em março, é uma aposta de professores para o tema de redação do Enem.

Ainda que não acredite em uma discussão do fato em si, Andrea Provasi pensa que o Enem pode trazer textos sobre os 50 anos do golpe e pedir propostas de intervenção para consolidar a democracia brasileira, considerada por ela recente.

Professor de História do Grupo Unificado, Fabrício Indrusiak não está tão confiante quanto à cobrança do cinquentenário na prova de redação – mas, se o golpe militar aparecer na prova, o mais provável é que discuta a democracia brasileira, acredita. A ampliação da rede de saúde brasileira, “principal pauta do governo nos últimos quatro anos”, sobretudo pelo programa Mais Médicos, seria um tema histórico mais provável, diz Indrusiak.

O tema do processo democrático pode surgir ainda motivado pelas eleições, que acontecerão ainda esse ano, diz Liliane Negrão, professora de gramática e redação do curso Oficina do Estudante. “O Brasil tem um dos processos eleitorais mais modernos do mundo. Além disso, as redes sociais e a internet podem entrar (na prova) pela possibilidade de conscientização do voto, com as pessoas mais bem informadas”, diz.

Racismo e esporte
Em ano de Copa do Mundo no Brasil, é razoável supor que o maior campeonato de futebol do planeta possa surgir como base para um tema de redação do Enem. Porém, os professores acreditam que a abordagem, se acontecer, deve ser mais ampla.

Andrea aposta em um debate sobre a dimensão social, histórica e cultural do esporte em meio ao povo brasileiro. Questões de identidade e de integração social são típicas do Enem, no seu ponto de vista. Da mesma forma, Ávila Oliveira aposta em “como o esporte pode modificar a sociedade”, ou algo similar. Mas acha difícil a cobrança sobre grandes eventos esportivos.

Andrea lembra outro episódio marcante em 2014 que dialoga com a prática esportiva: a campanha “Somos todos macacos”, gerada a partir do episódio na Espanha em que o jogador brasileiro Daniel Alves mordeu uma banana durante uma partida de futebol, após esta ser atirada em sua direção - ato claramente racista. “Dentro disso, há vários recortes possíveis. Como a questão das cotas nas universidades”.

Tráfico humano: da novela para a prova
Em 2007, o tema de redação do Enem foi “O desafio de se conviver com a diferença”. No ano anterior, estava no ar a novela Páginas da Vida (TV Globo, 2006), que tinha entre suas personagens uma menina com Síndrome de Down - o que não parece coincidência para o professor Ávila Oliveira. “As novelas atingem a todos, quem vê e quem não vê”.

Oliveira não duvida que isso possa acontecer novamente em 2014. “No ano passado, uma novela falou de tráfico humano (Salve Jorge, TV Globo). A gente foi bombardeado massivamente com reportagens repercutindo isso, o trajeto da personagem, etc. Para você ver, eu particularmente não acompanho novelas, mas isso chegou até mim”.

Esse seria um forte candidato à tema de redação do Enem 2014 na visão do professor, assim como a publicidade direcionada ao público infantil. O debate sobre uma restrição de horário para a veiculação dessas propagandas às crianças poderia se estender até a ponta do lápis dos candidatos.

Fonte TERRA

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