terça-feira, 24 de maio de 2016

A vírgula entre as orações coordenadas

Assim como ocorre no período composto por subordinação, o uso da vírgula também se manifesta no período composto por coordenação. Diante de tal afirmativa, vale mencionar que este se perfaz de uma característica marcante – o fato de as orações serem independentes entre si, ou seja, não apresentarem nenhuma dependência sintática entre os termos que as constituem, visto que, como a própria nomenclatura retrata, eles se coordenam de forma mútua.
Ao ressaltarmos acerca desta não dependência, na verdade estamos enfatizando que as orações possuem todos os elementos essenciais à sua composição, isto é, sujeito e predicado. Como podemos constatar em:

Pedro chegou e saiu apressadamente.

Neste caso, temos a 1ª oração – Pedro chegou.
Temos também o conectivo que as liga – representado pela conjunção “e”.
E a segunda oração – saiu apressadamente. Identificamos que a presente oração possui o mesmo sujeito da primeira, que é Pedro.
Outro aspecto digno de nota no período em questão é que as orações se subdividem em assindéticas e sindéticas. O termo “assindéticas” revela-nos a ausência de síndeto (=conjunção), como em:

Abriu a porta, não viu ninguém.

Não há nenhum conectivo ligando as duas orações, razão pela qual se denominam de assindéticas.
Compreendidas as características de maior relevância, ater-nos-emos agora ao caso da vírgula entre a referida modalidade. Vejamos:

* As coordenadas assindéticas são separadas por vírgula.
Ex: Chegou, sentou, começou a discursar.
* As coordenadas sindéticas, de modo geral, separam-se entre vírgulas, exceto aquelas demarcadas pela conjunção “e”, classificadas como aditivas (ver primeiro exemplo).
Ex: Ele a respeitava bastante, mas não concordava com as opiniões dela.
Or. coordenada assindética | oração coordenada sindética adversativa

Entretanto, há algumas exceções no que se refere às aditivas. Note:
# Separam-se entre vírgulas as orações coordenadas ligadas pelo conectivo “e” quando possuírem sujeitos distintos.
Ex: O rapaz nem se preocupou em se explicar, e seu pai também não fez questão de saber.

Oração coordenada assindética | oração coordenada sindética aditiva.

# A vírgula também se faz presente quando a conjunção “e” aparece repetida várias vezes - caracterizando um recurso linguístico denominado de polissíndeto.
Ex: Ele estuda, e trabalha, e faz serviços extras, e ainda encontra tempo para se divertir nos finais de semana.

A vírgula entre as orações intercaladas 

* Separam-se por vírgulas todas as orações intercaladas.
Ex: São somente estas, a não ser que existam outras, as encomendas que deverão ser entregues.
Observação:
Neste caso, a vírgula também poderá ser substituída por outro sinal de pontuação – o travessão.
Ex: Todos aqueles – com exceção da menina – são meus primos.

Fonte: Português

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Refazendo parágrafos

A refeitura é imprescindível para melhorar a capacidade redacional. Ao refazer, a partir das correções do professor, o aluno vai tomando consciência das falhas que cometeu e tende a não repeti-las. O ideal é reescrever todo o texto, mas na impossibilidade de fazer isso pode-se reformular parte dele. De preferência parágrafos, que se estruturam em torno de uma ideia básica (tópico frasal) e têm unidade de sentido.

Na refeitura corrigem-se problemas lógicos (como a falta de unidade), semânticos (como o preciosismo) ou estruturais (como a ausência de paralelismo). Seguem exemplos de cada caso, todos extraídos de redações:

1) "A naturalidade humana vem se perdendo. Antigamente, era comum a existência de pessoas talentosas, que colocavam em prática seus dons e conhecimentos. Porém, atualmente, poucos fazem algo novo, diferente. Esse fato é consequência do avanço tecnológico."

O tópico frasal se refere à "naturalidade", mas o desenvolvimento se ajusta melhor ao conceito de criatividade. Além dessa troca, que deixa o tópico desconectado do que vem depois, o aluno não explica por que o avanço da tecnologia teria tornado o homem menos criativo - hipótese no mínimo polêmica.

Na refeitura se respeitou a discutível tese do estudante e se procurou, dentro do possível, suprir as lacunas da argumentação:

"A criatividade humana vem se perdendo. Antigamente, era comum a existência de pessoas talentosas, que colocavam em prática seus dons e conhecimentos. Porém, atualmente, poucos fazem algo novo, diferente. Isso é consequência do avanço tecnológico, pois as máquinas vêm tomando o lugar do homem em tarefas que exigem maior desempenho intelectual."

2) "O trabalho na escola vem se reduzindo a meros interesses de resultados em vestibulares. Não há como negar a importância de resultados, qualquer que seja o âmbito tratado, mas muito melhor é unido aos resultados observar o corpo gerador dos mesmos. E qual esse corpo gerador senão aquele formado pelo conjunto dos seguintes valores: amor, respeito, justiça, paz, solidariedade? Para ultrapassar a superfície de meros resultados, o conceito escola ter impresso em suas entranhas os já mencionados valores."

O parágrafo, como se vê nas partes em negrito, ressente-se do preciocismo (visível nas redundâncias e no empolamento das ideias, com vistas a sugerir uma falsa profundidade). Expressões como "qualquer que seja o âmbito tratado", "corpo gerador dos mesmos", "superfície de meros resultados" ou "ter impresso em suas entranhas" são excessivas e inapropriadas; terminam levando ao obscurecimento do sentido.

O trabalho de refeitura consistiu basicamente em cortar os excessos e traduzir com rigor o pensamento do aluno:

"O trabalho na escola vem se resumindo ao interesse por resultados no vestibular. Não há como negar a importância desses resultados, mas o importante é unir a eles a transmissão dos valores que os geram: amor, respeito, justiça, paz, solidariedade. A escola deve se comprometer sobretudo com esses valores".

3) "A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são: para o primeiro caso, a formação de cidadãos alienados e manipulados; para o segundo caso,impedir que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; para o terceiro caso, prejudica a difusão da diversidade cultural."

O estudante apresenta, em processo coordenativo, as consequências da ação da mídia em três âmbitos. Era preciso que esses âmbitos estivessem estruturados da mesma forma, o que não ocorreu; a sequência começa com o substantivo "formação" e se completa com os verbos "impedir" e "prejudicar", que aparecem em flexões diferentes (infinitivo e presente do indicativo).

Na refeitura, procurou-se estabelecer o paralelismo tomando como referência o substantivo ou cada um dos verbos. O importante era que houvesse simetria estrutural entre os termos coordenados. Eis as três versões a que se chegou:

- "A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são, no primeiro,a formação de cidadãos alienados e manipulados; no segundo, o impedimento a que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro,o prejuízo para a difusão da diversidade cultural."

- "A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. As consequências são, no primeiro,formar cidadãos alienados e manipulados; no segundo, impedir que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro,prejudicar a difusão da diversidade cultural."

- "A mídia age nos âmbitos político, econômico e social. No primeiro, forma cidadãos alienados e manipulados; no segundo, impede que o país adote as medidas econômicas realmente necessárias para o seu crescimento; e no terceiro, prejudica a difusão da diversidade cultural."

Fonte Revista Língua

O rumo da grafia

O acordo ortográfico e suas regras têm prazo definitivo para implementação em 1º de janeiro de 2016 e cumprem papel importante de uniformizar a escrita nos 8 países signatários, bem como de contribuir com a estratégia de projeção e divulgação global da língua portuguesa, dois objetivos importantíssimos.

Muitas críticas foram feitas sem levar em conta as vantagens internacionais de se unificar o padrão de escrita, também muito se apontou de imperfeições a serem superadas e melhorias a serem conquistadas.

Revisão da revisão

Exemplos como "Trânsito pára tal lugar / Trânsito para tal lugar" e "Tudo pára fulano / Tudo para fulano" já demonstraram que seria benéfica a volta do acento diferencial de intensidade, definidor da oposição semântica entre "pára", verbo, e "para", preposição. As frases "Veja a fôrma daquela forma / Veja a forma daquela fôrma" também indicam a importância de se voltar a definir como obrigatório o circunflexo na sílaba fechada de "fôrma", em benefício da clareza e da precisão.

As alterações feitas nas regras do hífen viram-se profusamente criticadas, como o foram critérios subjetivos adotados para manutenção de exceções, etc. Tantas foram as críticas e defesas dessas regras ortográficas, tantos os desentendimentos, que voltar ao tema pode até causar mal-estar. "Lá vem esse lero-lero de acordo outra vez!".

Não quero importunar ninguém. Só chamo sua curiosidade para confrontar algumas regras de ortografia:

- "Escreve-se [x] após as sílabas iniciais 'me' e 'en': mexer, México, enxoval, enxuto".
Pois bem. Com base nessa regra, você seria capaz de apontar a alternativa com grafia correta?
a) Enchova, mecha, mechar.
b) Enxova, mexa, mexer.
Ocorre que ambas as alternativas estão corretas. Acabou-se de se ensinar uma regra que não funciona. Frustração para aluno e professor.

- "As palavras derivadas de línguas africanas escrevem-se com x". Então, como se escreve o nome de uma dança dos quicongos?
a) Chica.
b) Xica.
Resposta: "Chica", conforme os vocabulários ortográficos de Brasil e Portugal.

A regra não vale.

- "Usa-se a letra [j] para grafar palavras de origem árabe, indígena ou africana: alforje, caçanje...".
Como preencheríamos as lacunas de: ál_ebra, al_ema, al_ibebe, al_ibeira, al_eroz, alfa_eme, alfan_e?
Todas provêm do árabe, mas, com exceção da última, todas se escrevem com [g], desviando-se da regra. Mais decepção para alunos e menos respeito pela palavra do professor.

- "Escreve-se a letra [g] nas terminações -agem, -igem, -ugem".
Diante de tal regra, então as alternativas corretas seriam:
a) viajem;
b) pajem;
c) lambujem;
d) penujem?
Uma consulta a dicionários atesta todas essas grafias como corretas, apontando a inutilidade da regra.
Decepções como essas perpassam, em número mais expressivo, a maioria das aulas de ortografia, gerando desapontamentos e forte resistência ao aprendizado da língua, o que expande o analfabetismo funcional e prejudica os índices de alfabetização.
O problema sério que precisa ser resolvido, a bem da educação, está na origem. Não faz sentido ensinar a escrever com base na origem das palavras, porque ninguém ensina essa origem. Se alguém não sabe que este ou aquele termo provém do árabe, de alguma língua indígena ou de origem africana, está impedido de saber usar x/ch, j/g, ç/ss/c. 

Porém, mesmo supondo ser possível conhecer a origem de todas as palavras, nada garante saber escrevê-las, pois, como visto, a regra não funciona. Começa, então, na alfabetização a alimentação do analfabetismo.

Sugestões

Para se alfabetizar eficientemente, sem ter de voltar ao passado, talvez seja preciso modernizar a ortografia e desatrelá-la da etimologia, que teve sua "desimportância" decretada quando se retirou o latim do ensino, quando se deixou de ensinar origem e grafia dos radicais.

Parece chegado o momento de se apresentarem soluções práticas e objetivas em favor da comunidade dos falantes de língua portuguesa.

No mundo de hoje, devido à velocidade com que as palavras chegam ao uso cotidiano (tsunâmi, Al Jazira, ashram, i'akos, estai, tags...), é impossível atrelar a escrita de uma palavra ao conhecimento obrigatório da sua origem, mas é importante que se possa saber escrever com segurança.

Que tal uma regra extinguindo o [ch] e oficializando só o [x] para representar essa fricativa? Todo mundo saberá escrever esse som, independentemente de conhecer-lhe a origem. Professores, alunos e população, felizes e seguros em ortografia.

E se a letra [g] representar apenas o fonema /guê/? "Gato", "gerra", "averiguei" ([u] pronunciado, quando escrito), "gitarra", "gota", "gula". E se apenas o [j] representar o som /jê/? "Jato", "jelo", "jeito", "jirau", "jovem", "juta". A dúvida entre [g] e [j] nunca mais existirá.

Simplificação

Há vários outros pontos passíveis de simplificação, que poderão reduzir a alfabetização a menos da metade do tempo gasto hoje, com resultados objetivos muito superiores, capazes de eliminar os traumas iniciais de leitura e escrita, tornar agradável o aprendizado da língua e duplicar, triplicar ou quadruplicar o universo atual de leitores plenamente alfabetizados, elevando a um patamar jamais alcançado o mercado livreiro, a produção intelectual e científica, com todas as consequências positivas para as sociedades de língua portuguesa, cujas economias, só por isso, serão fortalecidas.

Fonte: Revista Língua

Tira, charge e cartum: Afinal, o que são?

A regra é confundir os três, em especial os dois primeiros. Para explicar melhor do que se trata cada um deles, a discussão se volta incontornavelmente às características apresentadas por esses textos. Em outros termos: torna-se uma exposição sobre gêneros - dos quadrinhos, no caso - e suas marcas de estabilidade na forma como circulam socialmente.

Comecemos pela charge. Ela já era vista nos jornais bem antes de ser conhecida por esse nome. Pelo menos no Brasil. No século 19, os periódicos daqui costumavam chamar de caricatura essa forma de produção gráfica. Tudo - ou quase tudo - que fosse desenhado e que mexesse com temas cotidianos era rotulado assim.

Mas o DNA da charge já estava lá. A marca central dela é abordar algum tema do noticiário. Esse contato com os fatos jornalísticos é trabalhado de forma crítica e, na esmagadora maioria das vezes, com humor. Foi assim que ela ganhou espaço fixo em muitos jornais do país durante o século 20. Em alguns, em páginas até bastante nobres.

Tendo essa marca central em mente, a interação com os fatos jornalísticos, vejamos um exemplo para tentar deixar a exposição um pouco mais clara.

O cartum extrai humor de qualquer situação, sem a exigência dessa amarra factual. Por conta disso, seu entendimento tem um prazo de validade mais largo, ao contrário da charge.

Recursos usados tanto na charge quanto no cartum podem ser vistos também nas tiras. Mas há um diferencial de base: o formato. O tamanho usado pelas tiras já antecipa ao leitor do que se trata aquele conteúdo, mexa ele com temas do noticiário ou não, quer tenha personagens fixos, quer não.

As tiras cômicas - há outros gêneros de tiras, não custa registrar - têm como marca central a construção de uma situação de humor com desfecho inesperado. É como ocorre nas piadas: a narrativa é construída de modo a surpreender o leitor no final. Essa quebra de expectativa é o que leva ao sentido cômico.

Recursos usados tanto na charge quanto no cartum podem ser vistos também nas tiras. Mas há um diferencial de base: o formato. O Brasil já se tornou um dos principais polos produtores de tiras do mundo. Nossas tiras cômicas não deixam a desejar às de outros países importantes no segmento, como os Estados Unidos e a Argentina. E não só nos jornais. Na internet, elas têm encontrado novos caminhos, via sites, blogs e redes sociais.

É de se concordar que há muitos casos em que a fronteira entre tiras e, principalmente, charge e cartum fica bastante nebulosa. Ter clareza das marcas centrais de cada um deles pode não responder tão bem situações assim. Mas seguramente vai ajudar a dar maior propriedade à discussão.

Fonte: Revista Língua Portuguesa

terça-feira, 3 de maio de 2016

Dica para o dia da prova de Redação do ENEM

A prova de redação é aplicada no último dia do ENEM, e fica localizada na parte final da prova. Entretanto, muitos candidatos acabam deixando para fazê-la apenas após responderem todo o caderno de Matemática e Linguagens. Ao seguir este cronograma, o aluno chegará até a redação já esgotado mentalmente após ter respondido dezenas de questões com textos extensos e que exigem atenção e interpretação.

Outra razão para iniciar a prova pela produção de texto é o tempo curto para fazer todas as questões objetivas. Vale lembrar que a redação é diferente da prova objetiva, e não pode ser feita às pressas ou no “chute”. Portanto, dê preferência à produção de texto e garanta seus pontos de antemão.

O argumento mais importante para iniciar o exame pela produção de texto é que a redação é, de fato, a prova mais importante do ENEM. Em avaliações anteriores do ENEM, menos de 1% dos alunos conseguiram alcançar notas superiores a 700 pontos nas áreas de Linguagens, Ciências da Natureza e Humanas. Já na Matemática, apenas 3% dos alunos conseguiram a mesma pontuação, enquanto 9% obtiveram notas superiores a 700 pontos na redação do ENEM.

Lembre-se que a ordem das objetivas não altera seu resultado. Por isso, dê preferência à prova de redação!

Fonte Imaginie