terça-feira, 7 de junho de 2016

O gênero fábula como ferramenta para o processo de ensino e aprendizagem de língua materna

Conhecer o valor pedagógico e didático das fábulas, bem como sua utilização na formação de valores nos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental, é uma alternativa apresentada como auxílio na prática pedagógica docente.

Com isso, torna-se importante realizar alguns esclarecimentos sobre esse gênero literário e como sua utilização pode ser eficaz no processo de ensino e aprendizagem de língua materna.

Inicialmente, vale lembrar que a fábula caracteriza- se por apresentar um grau de complexidade moderado, viabilizando o desenvolvimento de atividades lúdicas a leitores iniciantes, as crianças. Além disso, é um gênero altamente normatizado/escolarizado, propício para se trabalhar com a sistematização exigida pela língua escrita.

Conforme descreve Nelly Novaes Coelho, "fábula (lat. fari = falar e gr. phaó = dizer, contar algo) é a narrativa (de natureza simbólica) de uma situação vivida por animais, que alude a uma situação humana e tem por objetivo transmitir certa moralidade" (Literatura infantil - teoria, análise e didática. São Paulo: Ática, 1991), e o "que [a] distingue (...) das demais espécies [de narrativas] metafóricas ou simbólicas é a presença do animal, colocado em uma situação humana exemplar". Enquanto atores, os animais, identificados com a natureza, "encarnam diferentes facetas do caráter humano, representando exemplarmente suas virtudes e seus vícios, que se louvam ou se renegam" (COUSO CADAHYA, X. L. "Ensaio e crítica". In: GARCÍARODRÍGUEZ, X. M. Fábulas galegas. Santiago de Compostela: Gotelo Blanco, Edicións, 1991).

Em Massaud Moisés (A criação literária. São Paulo: Melhoramentos, 1975), o gênero fábula é definido como:

Latim- fábula, narração. Narrativa curta, não raro identificada com o apólogo e a parábola, em razão da moral, implícita ou explícita, que deve encerrar, e de sua estrutura dramática. No geral, é protagonizada por animais irracionais, cujo comportamento, preservando as características próprias, deixa transparecer uma alusão, via de regra, satírica ou pedagógica aos seres humanos.

No entanto, conforme salienta Nelly Novaes Coelho, "a Jean La Fontaine (1612/1692) coube o mérito de dar [à fábula] a forma definitiva, na literatura ocidental" (Panorama histórico da literatura infanto-juvenil. São Paulo: Ática, 1991).

Sendo as fábulas pequenas narrativas em que animais são os personagens protagonistas, o comportamento humano é criticado através de atitudes de animais que poderiam ser bons ou maus ou apresentar diferentes virtudes ou defeitos. É comum que esses animais representem raposas, lobos, formigas, dentre outros. Cada um deles apresenta características tipicamente humanas. Assim, "(...) pode-se dizer que, no geral, a fábula visa aos costumes, ao comportamento social dos homens."

As personagens tendem a ser estáticas ou planas: não crescem, não evoluem diante do espectador como as personagens de um romance. O leitor as apanha "num instante climático de sua existência", como afirma Massaud Moisés.

CONCEITO
MORAL DA HISTÓRIA

Recurso recorrente das fábulas e também resultado de sua narrativa ao ponto de estimular nosso inconsciente por meio de entrelinhas psicológicas. O enredo das fábulas despertam sensações aparentemente confusas que muitas vezes colocam os personagens em situações extremas. Mas esse recurso é usado para colocar à prova os valores tanto do personagem quando do leitor/ouvinte da história, entregando no final uma mensagem positiva que faz parte da lógica da narrativa, aceita pelo leitor/ouvinte. 

O conteúdo das fábulas é variado. Em termos de construção composicional, o gênero apresenta os elementos básicos da narrativa (fatos, personagens, tempo e lugar), organizados na seguinte estrutura: apresentação do contexto da situação (a exibição do personagem e, raramente, do espaço e do tempo, a não ser o textual); a ação (surge um conflito para desequilibrar a situação inicial, um momento máximo de tensão - clímax - e, por fim, a resolução do conflito).

Fonte: Revista Literatura

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