quarta-feira, 31 de maio de 2017

Modernismo - Geração de 30

Literatura modernista nos anos 30. Nesse período as conquistas da geração modernista de 22 já se encontram consolidadas. É preciso, mais do que digeri-las, também ressignificá-las, sobretudo em um mundo de repentina maior complexidade, ditado por um contexto de apreensão e perplexidade mediante um contexto beligerante nunca antes visto, nas proporções que por fim tomou e que não refrearam no período entre guerras.

O mundo é ditado, agora, por uma atmosfera de pessimismo quanto aos rumos da humanidade, mas também pela necessidade de compreensão, de maior envolvimento social. Essas demandas também nortearão o olhar de toda uma safra de escritores a um cenário novo em nossa literatura: o Nordeste, suas agruras e suas sofridas personagens. Eis os balizadores que nortearão a visão modernista da segunda geração.Sua produção é bastante fecunda tanto em prosa quanto em poesia.

Costumeiramente, situam-se os marcos dessa geração entre 1930 e 1945.

Poesia
Há na poesia, dessa fase, um grau de uniformidade e mesmo de coesão menor do que nos autores de 22. Lembremos, no entanto, que a maior parte dos autores de 22 são contemporâneos da safra de poetas de 30, com os quais partilham o gosto pelo verso livre, a liberdade temática, a postura antiacadêmica, a valorização do cotidiano. Esses traços aqui não são mais uma espécie de guia a se seguir, mas amplas conquistas já estabelecidas.

Os principais nomes da poesia dessa fase modernista são:
Carlos Drummond de Andrade
Vinícius de Moraes
Cecília Meirelles
Jorge de Lima
Murilo Mendes


Prosa
É na prosa que essa geração vai instituir a grande novidade em nossa literatura, ao nos apresentar um protagonismo a partir daí, permanentemente, presente na cultura brasileira: o da figura do nordestino sofrido, em meio às agruras da seca, aos desmandos sociais.

São romances caracterizados pela denúncia social. Houve grande interesse por temas nacionais, uma linguagem mais brasileira com um enfoque mais direto dos fatos, aproximando-se de procedimentos do Realismo-Naturalismo. Na prosa, atingiu-se elevado grau de tensão nas relações do "eu" com o mundo; é o encontro do escritor com seu povo. Havia uma busca do homem brasileiro nas várias regiões, por isso, o regionalismo ganhou importância, com destaque às relações da personagem com o meio natural e social (seca, migração, problemas do trabalhador rural, miséria, ignorância).

Refletindo as preocupações sociais e políticas que agitavam o Brasil na época, desenvolveu-se um tipo de ficção que encaminhou para o documentário social e romance político. A publicação, em 1928, de A bagaceira, de José Américo de Almeida, costuma ser indicada como marco inicial dessa série de obras cuja intenção básica foi a denúncia dos problemas sociais econômicos do nordeste, dos dramas dos retirantes das secas e da exploração do homem num sistema social injusto.Além do regionalismo, destacaram-se também outras temáticas como o romance urbano e psicológico, o romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.

O grande marco dessa safra de romances, possivelmente, seja a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, publicada no ano de 1938. No livro, deparamos com a família de retirantes formada por Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a tão humana cadela Baleia. A linguagem objetiva do romance parece metaforizar a própria ressequidão daquele ambiente.

Os principais romancistas de 30 são:
Graciliano Ramos
José Lins do Rego
Rachel de Queiroz
Jorge Amado
Érico Veríssimo

Fonte: Globo/Educação

terça-feira, 30 de maio de 2017

Paralelismos Sintático e Semântico como recursos estilísticos textuais

Notadamente, a construção textual é concebida como um procedimento dotado de grande complexidade, haja vista que o fato de as ideias emergirem com uma certa facilidade não significa transpô-las para o papel sem a devida ordenação. Tal complexidade nos remete à noção das competências inerentes ao emissor diante da elaboração do discurso, dada a necessidade de este se perfazer pela clareza e precisão. 
Infere-se, portanto, que as competências estão relacionadas aos conhecimentos que o usuário tem dos fatos linguísticos, aplicando-os de acordo com o objetivo pretendido pela enunciação. De modo mais claro, ressaltamos a importância da estrutura discursiva se pautar pela pontuação, concordância, coerência, coesão e demais requisitos necessários à objetividade retratada pela mensagem. 
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros aspectos que norteiam os já citados fatos linguísticos, ressaltamos determinados recursos cuja função se atribui por conferirem estilo à construção textual – o paralelismo sintático e semântico. Caracterizam-se pelas relações de semelhança existente entre palavras e expressões que se efetivam tanto de ordem morfológica (quando pertencem à mesma classe gramatical), sintática (quando há semelhança entre frases ou orações) e semântica (quando há correspondência de sentido entre os termos).
Casos recorrentes se manifestam no momento da escrita indicando que houve a quebra destes recursos, tornando-se imperceptíveis aos olhos de quem a produz, interferindo de forma negativa na textualidade como um todo. Como podemos conferir por meio dos seguintes casos: 

Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda. 
Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao analisarmos que o time brasileiro não enfrentará o país, e sim a seleção que o representa. Reestruturando a oração, obteríamos:

Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a seleção da Holanda. 
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos muito agradecidos.

Eis que estamos diante de um corriqueiro procedimento linguístico, embora considerado incorreto, sobretudo, pela incoerência conferida pelos tempos verbais (comparecessem/ficaremos). O contrário acontece se disséssemos: 

Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos muito agradecidos. 
Ambos relacionados à mesma ideia, denotando uma incerteza quanto à ação. 
Ampliando a noção sobre a correta utilização destes recursos, analisemos alguns casos em que eles se aplicam: 

não só... mas (como) também:
A violência não só aumentou nos grandes centros urbanos, mas também no interior. 

Percebemos que tal construção confere-nos a ideia de adição em comparar ambas as situações em que a violência se manifesta. 

Quanto mais... (tanto) mais: 
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o profissionalismo, mais chances tem de se progredir. 

Ao nos atermos à noção de progressão, podemos identificar a construção paralelística. 

Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora:
A cordialidade é uma virtude aplicável em quaisquer circunstâncias, seja no ambiente familiar, seja no trabalho.

Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante a ideia de alternância. 

Tanto... Quanto:
As exigências burocráticas são as mesmas, tanto para os veteranos, quanto para os calouros. 

Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de equivalência, constata-se a estrutura paralelística. 

Não... E não/nem:
Não poderemos contar com o auxílio de ninguém, nem dos alunos, nem dos funcionários da secretaria. 

Recurso este empregado quando se quer atribuir uma sequência negativa. 

Por um lado... Por outro: 
Se por um lado, a desistência da viagem implicou economia, por outro, desagradou aos filhos que estavam no período de férias. 

O paralelismo efetivou-se em virtude da referência a aspectos negativos e positivos relacionados a um determinado fato. 

Tempos verbais: 
Se a maioria colaborasse, haveria mais organização. 

Como dito anteriormente, houve a concordância de sentido proferida pelos verbos e seus respectivos tempos.

Fonte: UOL

O "ete" da empreguete

Por Elis de Almeida Cardoso

Em português há muitos sufixos formadores de diminutivos, que expressam diferentes valores afetivos. Nomes formados com diminutivos relacionam-se com a ideia de carinho, delicadeza, ternura, humildade, mas também podem ser pejorativos exprimindo depreciação, irritação, ironia.

Principalmente na linguagem coloquial, advérbios e pronomes com sufixos diminutivos podem ganhar valor enfático (agorinha, nadinha). Unido a bases que têm traços semânticos de delicadeza ou pequenez, o sufixo atua como intensificador (lindinho, pequeninho). Já unido a bases cuja conotação é depreciativa, indica tolerância e compreensão (feinho, bobinho). Pode até perder seus traços semânticos em formações com outros sentidos (camisinha).

Dos sufixos diminutivos mais comuns, além de –inho/-zinho, há –eta(caderneta, lingueta), -ito (livreto), -ola (sacola), -ete (disquete). O mais produtivo é mesmo a dupla –inho/-zinho, mas o sufixo –ete vem ganhando, na língua falada, na internet e nos programas de TV, uma frequência bem alta, por seu valor expressivo.
Mesmo usado em palavras dicionarizadas (ver quadro), novas palavras com essa terminação surgem a cada dia. O valor de diminutivo desaparece e outros sentidos passam a ser vistos em palavras com –ete. Desde a era das “chacretes”, não se via uso tão exagerado do sufixo.

Programas de TV seguiram a mesma linha de Chacrinha. “Boletes” eram as moças do Clube do Bolinha (Bandeirantes, anos 80). Hoje, as “paniquetes” (ou panicats) são as que recebem closes das câmeras no Pânico na Band. E as “calderetes” povoam o Calderão do Huck (Globo). O –etecontinua usado em referência às mulheres. Antes eram chamadas de “vedetes” e “coquetes”, palavras vindas do francês. Hoje, ouvem-se as formações “reboletes”, “fanketes”, ”periguetes”. É a terminação –ete em novas palavras.

Periguete

Quem são, afinal, as periguetes (ou piriguetes)? Representadas nas novelas da Globo Insensato Coração (2011), por Deborah Secco (Natalie); Fina Estampa (2011/2012), por Carolina Dieckman (Teodora), e Avenida Brasil ( no ar) por Ísis Valverde (Suellen) são mulheres que usam roupas justíssimas e chamativas, sempre em cima de um salto, muito maquiadas, com bijuterias enormes e o único objetivo de chamar a atenção, conquistar.

São mais do que um perigo... sempre prontas para seduzir. Nas baladas, escolhem com quem querem ficar e ficam. Formada por “perigo” + -ete, a palavra é usada com conotação diferente do adjetivo “perigosa” e circula há anos. Já foi usada pela cantora Ivete Sangalo, que em show deixou de ser Ivete para ser “Periguete”. O funk Piriguete de MC Papo tem como refrão:

Quando ela me vê ela mexe

Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete

Rebola devagar depois desce

Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete

As periguetes que vão a bailes funk são conhecidas como “funketes”. Quando na balada, podem ser chamadas de “reboletes” e acabam sempre arrumando um “peguete”. O substantivo “rebolete” retoma a ideia da dançarina “peguete”, comum de dois gêneros, é a pessoa que se está “pegando”, “ficando”... com quem se mantém relação sexual ou afetiva ocasional, sem compromissos.

Nas novelas que retratam o universo carioca circulam agora as “empreguetes”. Cheias de Charme (Globo, no ar) mostra domésticas que querem ser alçadas ao sucesso. Cida (Isabelle Drummond), Penha (Taís Araújo) e Rosário (Leandra Leal) se dizem “empreguetes” e produzem um videoclipe cujo título é Vida de Empreguete. “Empreguete é a empregada jovem que quer ser reconhecida pelo seu sucesso e chegar à condição de patroa.

O sufixo –ete tem, no caso, valor carinhoso. Amigas tratam-se, sobretudo na adolescência, por “amiguetes”. O –ete pode pode ter valor de feminino, quando as calouras que acabam de ingressar no ensino universitário são chamados de “bixetes” (pois “calouro” é “bixo”). Formando o feminino, o sufixo continua afetivo.

Fanzetes

Desde que o jogador Neymar atingiu fama e popularidade, uma legião de fãs o segue. Dentre seus admiradores, há um grupo especial: as “neymarzetes”. Seguidoras do jogador no Twitter, santistas por causa do craque, as neymarzetes (mais sonoro do que “neymaretes”) vão a estádios, levam cartazes, gritam e fazem de tudo para ter uma foto do ou com o ídolo.

Fazem coro com as “luanetes”, dessa vez as seguidoras do cantor Luan Santana, outro fenômeno, não do futebol, mas do meio musical-sertanejo. Essas torcedoras especiais, essas jovens enlouquecidamente apaixonadas são as responsáveis por essa outra conotação do sufixo. O –ete passa a designar também a fã de alguém.

A terminação, com /e/ aberto, é sonora e seu valor semântico nas formações novas e não dicionarizadas revela expressividade porque vai do pejorativo ao afetivo.

Formar palavra com –ete é, pois, uma tendência, modismo que faz com que o sufixo ganhe seu minuto de fama.

Sinal de modernidade

A diversidade de usos tradicionais e já dicionarizados do sufixo –ete

O sufixo –ete, pelo Houaiss, manifesta-se em “diminutivos, diminutivos afetivos e diminutivos designativos de outra coisa”, encontrado em palavras como: artiguete, bracelete, cavalete, farolete, mulatete, olhe-te, palacete. Algumas trazem variação no timbre do /e/ tônico, pronunciado ê ou é.

Nem sempre tem valor diminutivo ou é considerado sufixo: “gilete” vem de nome próprio (Gillette) usado metonimicamente (marca pelo produto) como “lâmina de barbear” e, depois, metaforicamente (motorista barbeiro; indivíduo bissexual).

No Brasil, o –ete, agora com /e/ aberto, surge quando se deseja um toque de modernidade, associado ao picaresco (“jambete”, mulata cor de jambo) ou para dar atrativo a produtos. Quem se lembra da boneca “Fofolete”? O /l/ é consoante de ligação (fofo + -ete).

Fonte: Revista Língua/julho de 2012